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Entrevista: Bruno Fagundes, produtor e ator da peça "Tribos"


Oi pessoal, tudo bem?

Estou muito feliz por poder apresentar este material inédito para vocês! Uma entrevista exclusiva, do Blog Vendo Vozes, com o ator e produtor Bruno Fagundes.

A peça estreou em setembro, em São Paulo, e ainda não há previsão de apresentações em outros estados, mas vou torcer muito para que eles venham a Porto Alegre em 2014 (e vocês aí, torçam pela cidade de vocês, hehehe). A acessibilidade oferecida no espetáculo (há sessões especiais com intérprete de Libras, legendas e audiodescrição) surpreende, já que o teatro é sempre muito criticado por ser uma das artes menos acessíveis a quem tem alguma deficiência.
Torcemos agora para que esse exemplo se dissemine, e os surdos, deficientes auditivos, cegos, enfim, todos, possam assistir a peça que bem entenderem, de todos os gêneros e com todas as temáticas.

Abaixo um release de "Tribos", que traz um surdo como personagem principal. No final da postagem, a entrevista que o Bruno concedeu ao blog:

Comédia perversa, com texto de Nina Raine e direção de Ulysses Cruz, aborda questões familiares; com Bruno Fagundes, Arieta Correa, Eliete Cigaarini, Guilherme Magon e Maíra Dvorek, a partir do dia 14 de setembro, no Teatro Tuca
Crédito: Jairo Goldflus
Antonio e Bruno Fagundes encontram-se na produção e no palco do teatro, pela segunda vez. O motivo agora é ainda mais especial, já que formam uma dedicada equipe de produção com os atores Arieta Correa, Eliete Cigaarini, Guilherme Magon e Maíra Dvorek, em uma premiada comédia perversa, com sacadas inteligentes e uma questão polêmica - que promete criar uma inusitada relação com a platéia - entreter, provocar questionamentos e entregar um bom produto aos amantes das artes.
Nina Raine, autora do texto, usa a figura de um deficiente auditivo para questionar os diversos tipos de limitação do ser humano e, de uma maneira perversamente divertida e politicamente incorreta, revive as típicas questões familiares e reforça as dificuldades de convivência - como em toda tribo.
Tribos aborda a surdez universal e divide o tema em duas categorias: 1) daqueles que não conseguem ‘calar-se’ por tempo suficiente para entender uma realidade diferente de sua própria 2) dos surdos que são fisicamente incapazes de receber estímulos sonoros;. "Somos só mais um na multidão"; "O mundo é surdo", diz Billy. Existe surdez maior que o preconceito; que o orgulho; que a ignorância; o egoísmo; a falta de amor?
Tribos estreia em São Paulo, dia 14 de setembro, no Teatro TUCA.
O TEXTO
Sucesso no Royal Court Theater, em Londres, e vencedor do New York Drama Critics, quando em cartaz nos Estados Unidos, o texto tem tradução de Rachel Ripani e direção de Ulysses Cruz. Billy (Bruno Fagundes) nasceu surdo em uma família de ouvintes, liderada pelo pai Christopher (Antonio Fagundes) e pela mãe Beth (Eliete Cigaarini), e completada pelos irmãos Daniel (Guilherme Magon) e Ruth (Maíra Dvorek). Ele foi criado dentro de um casulo ferozmente idiossincrático e politicamente incorreto. Adaptou-se brilhantemente às maneiras não convencionais de sua família, mas eles nunca se deram ao trabalho de retribuir o favor. Finalmente, quando ele conhece Sylvia (Arieta Correa), uma jovem mulher prestes a ficar surda, Billy passa a entender realmente o que significa pertencer a algum lugar.


Na imagem acima, os atores da peça, na ordem da esquerda para direita: Bruno Fagundes, Maíra Dvorek, Eliete Cigaarini, Guilherme Magon, Antonio Fagundes e Arieta Correa. Todos estão com roupas e sapatos pretos. Os atores estão tapando, com as mãos, os ouvidos dos que estão ao seu lado. Apenas Bruno e Arieta, que estão nas extremidades, não estão com mãos tapando seus ouvidos.

Agora, confiram a entrevista:

Vendo Vozes - Como ocorreu o seu envolvimento com a comunidade surda e a preparação para este papel? 

Bruno: Meu envolvimento com a comunidade se deu de maneira muito natural. Comecei com profissionais da área da surdez, depois com fonoaudiólogas e aos poucos fui ampliando para representantes da comunidade surda. Tivemos muito pouco tempo de preparação, mas foi um mergulho intenso na comunidade, na forma de vida do deficiente auditivo. Meus maiores desafios foram aprender LIBRAS e a busca da voz característica do deficiente auditivo.


Vendo Vozes - Você já possuía algum contato com a comunidade surda anteriormente? Já conhecia a língua de sinais?

Bruno: Não, nenhum. Minha cabeça se abriu completamente para esse universo a partir dessa pesquisa.

Vendo Vozes - Na sua opinião, qual é o maior desafio do ator ao interpretar uma pessoa surda?
Bruno: A fala é realmente um dos maiores desafios, não só pela questão técnica da articulação, potência, volumes, região da fala, mas também pelo fato de que o personagem precisa ser entendido pelo público. E meu trabalho de ator, levando em conta as emoções, as nuances do personagem, a projeção para platéia, nada disso poderia ser mascarado pela dificuldade da fala. Então foi um processo intenso de treino. Além disso, nós ouvintes nunca saberemos o que é ser surdo, como é a vida interna desse personagem, foi preciso muita criatividade também, rsrs.


Vendo Vozes - Como vocês perceberam a necessidade de acessibilidade da peça aos surdos e deficientes auditivos, e como essa acessibilidade está sendo oferecida?
Bruno: Seria um contrassenso fazer uma peça na qual o personagem principal é deficiente auditivo e não incluí-los. Foi uma iniciativa minha como produtor, a partir do meu contato com a comunidade, mas rapidamente a equipe toda se entusiasmou. Nos dias 26 de outubro (último sábado do mês), 30 de novembro (último sábado do mês) e dia 14 de dezembro, estamos realizando as sessões com acessibilidade. Para isso, temos alguns parceiros envolvidos. A primeira grande parceira e amiga é a intérprete de LIBRAS Mirian Caxilé. Ela me ensinou muito sobre cultura e identidade surda e é INTÉRPRETE DE LIBRAS oficial de Tribos. E a empresa Steno do Brasil que nos forneceu tablets com LEGENDA (para surdos oralizados) e a maravilhosa novidade AUDIODESCRIÇÃO PARA CEGOS para os dias de acessibilidade. 

Vendo Vozes - Como a comunidade surda tem recebido a peça?

Bruno: Maravilhosamente bem!!! Dia 28 de setembro foi nossa primeira sessão acessível e foi um dos dias mais emocionantes da minha vida. Tinham na platéia aproximadamente 350 surdos. E eles têm voltado, mesmo nos dias sem acessibilidade, levando seus familiares ouvintes e amigos. Tem sido uma experiência inesquecível. TODOS os meus próximos projetos de teatro, ao longo da minha vida, terão sessões acessíveis.


Vendo Vozes - Vocês pretendem viajar com a peça para demais estados? (tomara que venham ao Rio Grande do Sul!!!)

Bruno: Por enquanto, não temos nenhuma viagem agendada. Infelizmente, viajar exige um esforço monumental, envolve custos altíssimos com transporte, estadia, alimentação, aluguel de equipamento e toda uma logística de adaptação. Não é nada fácil. Mas quem sabe na metade do ano que vem?

Muito obrigada ao Bruno, pela entrevista, e à Lívia Bollos, assessora de imprensa, pela atenção.

Maiores informações sobre o espetáculo:
Tribos
Autor: Nina Raine
Tradutor: Rachel Ripani
Diretor: Ulysses Cruz
Elenco: Bruno Fagundes, Arieta Correia, Eliete Cigaarini, Guilherme Magon, Maíra Dvorek e Antonio Fagundes
Figurinista: Alexandre Herchcovitch
Cenógrafo: Lu Bueno
Iluminador: Domingos Quintiliano
Trilha: André Abujamra
Assistente de cenografia: Livia Burani e Moises Moshe Motta / Assistente de produção: Danny Cattan
Diretor de produção: Germano Soares Baía
Realização: Antonio Fagundes e Bruno Fagundes
Local: Teatro TUCA
Capacidade: 672 pessoas
Endereço: Monte Alegre, 1024 - Perdizes – São Paulo
Horários: sexta 21h30 / sábado 21h30 / domingo 18h
Fone: (11) 3670-8455
Estacionamento: R$ 12 (Rua Monte Alegre, 835)
Ingressos: sexta R$ 50 / sábado R$ 60 / domingo R$ 50
Classificação etária: 14 anos
Pontos de venda: bilheteria do Tuca (terça a domingo 14h às 19h / domingo 14h às 18h) ou www.ingressorapido.com.br
Mais informações: http://www.tribos2013.com/ e www.teatrotuca.com.br



Comentários

Bruno disse…
Entrevista muito bem feita. Parabéns!
Rosilene disse…
Adorei a entrevista e fiquei sonhando com um espaço acessível a todos em todos os momentos!
Parabéns!

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