Pular para o conteúdo principal

Passeata de surdos em São Paulo

Informação do portal G1

Deficientes auditivos protestam contra política de inclusão do MEC

Federação dos Surdos diz que governo pretende fechar escolas especiais.
Ministério da Educação afirma que a inclusão deve ser feita na escola comum.
Simone Harnik Do G1, em São Paulo
Deficientes auditivos e intérpretes protestaram na tarde desta quinta-feira (29) contra a Política Nacional de Educação Especial, do Ministério da Educação (MEC). Cerca de 700 pessoas, segundo a PM, e de mil, segundo os organizadores, ocuparam uma faixa da Avenida Paulista, saindo do Museu de Arte de São Paulo (Masp), em direção ao Paraíso.

Saiba mais

De acordo com Neivaldo Augusto Zovico, diretor regional da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), o Governo federal pretende fechar escolas especiais e incluir os deficientes auditivos em escolas comuns, o que seria prejudicial para o aprendizado. “A escola não vai respeitar a necessidade do surdo. É necessário uma escola com língua de sinais [Língua Brasileira de Sinais (Libras)].”

Em junho, o MEC publicou uma portaria que modifica o enfoque da educação especial. Ela afirma que a educação especial não pode substituir a educação regular e institui um grupo de trabalho para “rever e sistematizar a Política Nacional de Educação Especial”. Nesse grupo, segundo os manifestantes, não foi incluído nenhum surdo.

Para Zovico, que é deficiente auditivo, a inclusão na escola comum só poderia ocorrer a partir da 8ª série, quando o estudante já domina Libras. “As crianças, na escola comum, serão prejudicadas, porque não vão conseguir entender o que o professor fala. E vai ocorrer evasão dos estudantes que não entendem”, afirmou.

Joel Barbosa Júnior foi quem interpretou o protesto de Zovico. “O número de surdos nas faculdades tem aumentado. Se o jovem for incluído na escola comum, não vai ter desenvolvimento para chegar à universidade”, disse.

Para o governo
No MEC, quem trata das políticas de inclusão é a Secretaria de Educação Especial. A assessora técnica Marlene Gotti afirmou que, pela inclusão, se pretende garantir o direito de estudar em qualquer espaço e não apenas depender de escolas especiais em determinada localidade. “Ainda não há intérpretes em todas as escolas. Mas a Lei de Libras é de 2002. Estamos formando professores surdos para isso”, disse.

Segundo Marlene, o protesto contra a política atual ocorre porque os deficientes auditivos que estudaram em escolas comuns enfrentaram problemas no passado. “Eles estão brigando contra o passado que tiveram. Estamos lutando pelo futuro da inclusão. Os manifestantes não estão vendo o lado da administração pública geral.”

Ela explica ainda que, no passado, a educação de pessoas com deficiência era feita em locais separados e que os estudantes, geralmente, não apresentavam progresso acadêmico. Além disso, enfatiza que, para estudar em escolas especiais, muitos jovens têm de viajar distâncias grandes para chegar à instituição – o que seria resolvido se todas as escolas passassem a incluir esses alunos.

“A política proposta diz apenas que não se deve criar mais escolas especiais. Mas não falou em fechar as que existem. Essas escolas, poderiam se tornar centros de atendimento educacional especializado”, diz.

Fotos da passeata você pode encontrar no link: Moacyr Andrade - Sistemas de Informa�o: Passeata

Ótima semana para vocês!!!

Comentários

Moacyr Andrade disse…
Muito legal vi q bom. Valeu
Anônimo disse…
acho que os professores tem que se atualizar mais em libras para poder transmitir com segurança para seus alunos, e não haver exclusão todos em uma so sala. todos irão aprender;;;

Postagens mais visitadas deste blog

Promoção livro: Educação de Surdos

Olá pessoal O blog Vendo Vozes vai sortear um livro "Educação de Surdos: políticas, língua de sinais, comunidade e cultura surda", Organizado por Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado e Maura Corcini Lopes, autografado. O livro é lançamento da Edunisc, e discute uma temática longe de ser considerada esgotada transitando por diferentes conceitos como política, língua de sinais e cultura: a “Educação dos Surdos”. As diferentes abordagens adotadas pelas autoras e pelos autores que aqui se inscrevem nos apresentam possibilidades de ver essa temática central com diferentes olhos. E em tempos em que a Língua de Sinais Brasileira e as políticas educacionais e linguísticas para pessoas surdas habitam nossas discussões e práticas, o leitor interessado na temática da educação de surdos pode se deliciar comas reflexões sérias  e comprometidas que cada autora e autor elencaram para contribuir com as práticas e os estudos sobre surdos e surdez. Para participar do sorteio,  basta com...

Promoção "Língua de sinais é...."

Olá pessoal! Conforme anunciado aqui  o Blog Vendo Vozes estará sorteando um exemplar do livro "Estudos da Língua Brasileira de Sinais", da editora da UFP. Fonte: www.favim.com/image/409291 Para concorrer ao livro, que será enviado pelos correios para o ganhador, você precisa ser seguidor do blog e completar a frase "Língua de sinais é...." (em "comentários" deste post), explicando o que a Língua de sinais representa para você. Você pode participar quantas vezes quiser, mas precisa incluir na postagem seu nome e e-mail, ok? A promoção ocorrerá entre 28/05 e 25/06. Participe!!!

Entrevista exclusiva: Antônio Campos de Abreu

Olá Pessoal! Temos a honra de divulgar uma entrevista que realizamos com Antônio Campos de Abreu, mais um exemplo de luta para todos nós, surdos e ouvintes! Antônio Campos de Abreu é mineiro, Assistente Administrativo da USIMINAS e formado em História pela UNIVERSO em 2007. Casado com Rita de Cássia é pai de três filhos, e é atuante na FENEIS e Associações de Surdos. Pergunta 1: O que causou a sua surdez? Antônio: Eu nasci surdo profundo. Minha surdez é devido à genética de meus pais que eram primos. Temos vários casos de surdez na família. Pergunta 2: Como foi sua descoberta sobre a surdez e o primeiro contato com a Língua de Sinais? Antônio: Na minha família minha irmã nasceu surda, meu avô, etc. Então quando nasci minha mãe tinha dúvida se eu seria surdo ou não. Minha mãe tem um primo médico Dr. Amador Álvares, que me examinou em seu consultório e constatou minha surdez. Ele acendia e apagava a luz e meu reflexo era totalmente visual. Minha família já sabia sobre a língua natural do...