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O Vôo da Gaivota

O vôo da Gaivota - Emanuelle Laborit

Emanuelle Laborit nasceu em 1972, na França. Foi a primeira filha de um jovem casal de estudantes de classe média, onde o pai estudava medicina (posteriormente vindo a ser um psiquiatra envolvido na luta pelos direitos dos Surdos) e sua mãe preparava-se para ser professora, porém interrompeu seus estudos para cuidar de Emanuelle. Surda de nascença, seus pais só tiveram a descoberta de sua condição aos nove meses de idade, e foram orientados pela equipe médica a não colocá-la em contato com outros surdos. Foi submetida, desde então, a tratamentos de ortofonistas, com oralização e uso de aparelhos auditivos, do qual só ouvia ruídos que não podia distinguir. Incluída em escola regular, somente aos 7 anos seu pai recebeu informações de surdos que utilizavam língua de sinais e conseguiram um bom desenvolvimento intelectual e comunicativo.
Emanuelle destacou-se por ser a primeira atriz surda a ganhar o prêmio Molière de teatro e também tornou-se a primeira francesa surda a escrever um livro. Mais do que sua própria e curta vida até então (já que ela o escreve com apenas 22 anos), o livro busca retratar a vida de uma pessoa Surda em um mundo que não está preparado para conviver com essa diferença:

Este livro é um presente da vida. Vai me permitir dizer aquilo que sempre silenciei, tanto aos surdos como aos ouvintes. É uma mensagem, um engajamento no combate relacionado com a linguagem de sinais, que separa ainda muitas pessoas. (Laborit, p.9)

Um dos motivos pelo qual o livro foi considerado por muitos uma ousadia, é pela dificuldade que os surdos têm com a língua escrita, tanto na leitura quanto na produção. A própria autora diz ter mais medo da escrita do que da fala, ainda que isso pareça estranho vindo de uma surda, mas fica registrada a dificuldade de lidar com a representação escrita de uma língua oral-auditiva, como o francês ou o português, por falantes nativos de línguas orais-espaciais, como a língua de sinais. Por isso, ela explica seu método de produção da obra: “Outras pessoas, mais curiosas, perguntaram como iria fazer. Escrever por conta própria? Contar o que gostaria de escrever a um ouvinte que traduziria meus sinais? Faço as duas coisas. Cada palavra escrita e cada palavra em sinais são irmãs.” (Laborit, p. 8) Assim, para a escrita do livro a autora contou com uma espécie de tradutora que a auxiliou, Marie-Thérèse Cuny, porém conservando seu estilo próprio, o que é observado ao longo da leitura.

Comentários

Laura disse…
“(...)fica registrada a dificuldade de lidar com a representação escrita de uma língua oral-auditiva, como o francês ou o português, por falantes nativos de línguas orais-espaciais, como a língua de sinais.”

A língua de sinais não seria VISUO-espacial, ao contrário de ORAL-espacial, como citado no texto?!
Unknown disse…
Estou lendo a historia "O voo das gaivotas", porem estão faltando as pagina 144 e 145. Gostaria tanto de terminar a leitura, pois estou adorando.
Regina disse…
Estou lendo a historia " O voo das Gaivotas" e estou gostando muito, porém estão faltando as páginas 144 e 145. Gostaria de ter um arqivo pdf para ter as páginas que estão faltando.
Grata
Regina

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